quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A história do Natal contada pelas crianças


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Assim caminha a humanidade?


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Valor da Infância, desde a concepção





No próximo dia 12 de outubro comemoramos o Dia das Crianças.

Na semana onde nossos olhares se voltam para a infância, reconheçamos o valor daquelas crianças que ainda encontram-se no ventre de suas mães e recebem o mesmo chamado à vida e ao amor que todo o ser humano recebe.

O sentido da vida humana é constituído inclusive dessa importante etapa gestacional, como primícia para o desenvolvimento integral do ser. 

Para sermos quem somos hoje foi preciso que alguém garantisse o direito ao nosso nascimento. Portanto, cabe a nós adultos garantirmos o mesmo direito para que cada criança possa nascer e se desenvolver: querendo-as, protegendo-as, investindo nossa atenção cuidadosa, amando-as e educando-as para o bem pessoal e social.

Lembrando com carinho dos nascituros, convido o leitor a assistir o belo vídeo abaixo.
Um ótimo e feliz dia-a-dia das crianças e com as crianças!
Patrícia E. de Lima Teixeira




sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Mensagem para o Dia da Gestante



“Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.”
CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS MULHERES,n.2



Gestar é doar-se integralmente aquele que amamos. 
E também,experimentar da grandeza e da simplicidade de ter alguém unido a ti.
Todo o corpo físico se volta para o desenvolvimento do filho,
 que assim seja com as demais dimensões de seu ser.
Na feliz espera do nascimento, no entorno dos desafios, expectativas e alegrias, 
o amor vai se alicerçando e acalentando através do vínculo mãe e bebê.
Que em teu ventre, o filho encontre o primeiro espaço afeto, cuidado e investimento; 
em tua mente, esteja em teus sonhos, nas esperanças
 e no planejamento para a viabilidade da vida que o equilibra e o estimula; 
em teu interior, construa-se a base do amor onde toda uma vida se ampara
  e em teu exterior se reflita a beleza do "faça-se".

Fraterno abraço, no desejo de que sejam meses de reflexão, fortaleza e plenitude. 
Parabéns a todas as mamães que dão seu sim à vida. 
Patrícia Espíndola de Lima Teixeira

*Dia 15 de agosto, é o dia da gestante.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O amor pela via da paternidade



“O homem não vive sem amor. 
Ele permanece para si mesmo um ser incompreensível,
sua vida é destituída de sentido se não lhe revelar o amor,
se não se encontrar com o amor,
 se não o experimentar apropriando-se dele, 
se não participar dele vivamente”¹


     O belo parágrafo escrito pelo Papa João Paulo II aborda a verdade que constitui a pessoa: o ser humano é chamado à vida para amar e ser amado. Muito mais do que um sentimento agradável, o amor traz em si a vontade e a ação concreta geradora do bem ao outro. Amar é fazer o bem ao outro, pelo outro, nos ensina São Tomas de Aquino. Nessa perspectiva, o amor tem suas diferentes características, que nos confirmam e nos fortalecem enquanto pessoas. No seio de uma família, como filhos, é possível encontrarmos o amor, através das suas formas distintas, porém complementares: o amor da mãe, o amor do pai, do irmão e dos avós, por exemplo. No mosaico das relações que travamos, o amor vai se construindo em nós. Cada qual com suas características, desafios e peculiaridades, contribuindo para a formação de nossa personalidade, capacidade psico-cognitiva, desenvolvimento de nossas competências e habilidades, formas de socialização, bem como, os princípios e virtudes que fazem parte do que somos. 

     Daremos agora, maior atenção para a paternidade, como via do amor que constitui um filho. Via distinta, com seus contornos próprios, o amor do pai é tão importante e necessário quanto o amor da mãe. Na pedagogia do ser, a maternidade e a paternidade devem buscar o equilíbrio e o vínculo saudável em favor da educação do filho. O filho não é da mãe ou do pai, é dos dois. Faz muito bem o homem que abraça sua paternidade de modo participativo e presente. Também faz muito bem a mãe que dá espaço para o pai ser pai efetivamente. 

     Pensemos de forma ideal, já que os ideais nos remetem para frente. Ao nascer uma criança, nasce um ser totalmente dependente de cuidados e necessidades. No vínculo inicial mãe-bebê, o pai faz o entorno da proteção e logística. Na sequência, o pai se relaciona com o filho formando um vínculo próprio, de sustento e confiabilidade.  É na família que a criança necessita encontrar o seu ninho, seu abrigo e porto seguro. Nesse ambiente, o pai é chamado a ser suporte, estabilidade, base de sustentação na vida do filho. Na ação do pai, torna-se cada vez mais urgente a criança encontrar o limite, a referência, a correção, a segurança: “Até aqui tu podes, ali não.” Se a mãe tem o colo confortador que faz o filho voltar-se para si mesmo, o pai tem a mão segura que o ergue e o faz ir para além de si. Próprio do olhar masculino, a objetividade, a visão direcionada, a força interior, a determinação clara das regras norteadoras, possuem valor fundamental para a condução da autonomia do filho. Bem como, o brincar com o pai, amplia no filho o desejo da aventura, da construção, da criatividade, das “engenharias inventivas”, do arriscar-se, do tentar de novo e de novo até tornar possível o que foi arquitetado. Brincar com o pai é diferente de brincar com a mãe. É bom que ambos brinquem juntos com seus filhos, mas também é bastante saudável que ora o filho brinque com a mãe, ora brinque com o pai.  Não para afastar, mas para a internalização e comparação do que vem do pai, daquilo que vem da mãe; como age o masculino, como age o feminino. 
     
     Anos atrás, em um grupo de crianças entre 9 e 10 anos, questionei o que mais gostavam em seu pai. Rapidamente uma criança respondeu: “gosto do meu pai inteiro, com tudo que ele é”. Outra ainda disse: “meu pai é o cara das certezas, ele sabe tudo”. E outra: “meu pai tem o abraço que mais me protege”. Ainda outra: “eu queria ter tido um pai, mas eu não o conheci.” Interessante. Por mais que a família seja atingida sobremaneira em nossa atualidade, as crianças naturalmente buscam no amor do pai, o amor do sustento e da edificação do ser. Há pais incertos do que fazer, de como agir para educar o filho.  Se por um lado, a insegurança faz parte, visto que cada filho os desafia de uma forma própria, por outro lado, pode ser consequência da angústia de viver em uma época onde a paternidade é bombardeada em sua autoconfiança e até mesmo em sua existência.  A masculinidade tem sido desenhada por algumas instâncias e meios sociais, como as garatujas dos desenhos infantis: sem definições, sem perspectiva, sem referências, sem característica. Uma lástima com graves consequências pessoais e sociais. Tira-se o pai da sociedade, perde-se o amparo seguro, o amor que rege e norteia em completude e equilíbrio ao amor da mãe. A falta da paternidade faz redobrar o esforço materno e vice-versa. Quando um não assume seu papel, torna exausto o outro. 

     Os pais cristãos precisam alertar-se em não cair nas armadilhas da atualidade, buscando assumir-se e educar-se conforme as virtudes e valores evangélicos.  A grande referência de paternidade humana está no pai que adotou Jesus por filho: José. Primeiramente, José abriu espaço em sua vida para receber um filho. Foi amparo e segurança para a mãe de seu filho. Diante da angústia do “não há lugar”², manteve-se perseverante. Como carpinteiro fez o melhor possível para dignificar e tornar em abrigo a estrebaria que recebeu Jesus. Apesar do talento, não pode construir o berço, nem o baú de pertences de seu filho. Ainda assim, José não parou na frustração. Protetor de sua família guardou com segurança a vida de seu filho e de sua esposa diante de adversidades que iam muito além de suas capacidades de compreensão. Agiu com o sentido de pertença - “são meus”- tomando para si a responsabilidade da garantia da vida e do companheirismo, cooperando com a vocação de sua esposa e filho.  

     O Papa Francisco se referiu a São José como o “guardião”. Considera o Papa a “ presença constante e fidelidade total(...) acompanha com solicitude e amor cada momento(...) mostra-se sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento aquilo que o rodeia e toma as decisões mais sensatas (...) responde a vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão (...)um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor(...). Fica o conselho a todos nós: “Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!”³ 

     Que os pais guardem seus filhos e a mãe de seus filhos. Que as mães guardem o valor e a dignidade do pai de seus filhos. Que os filhos guardem com atenção e respeito seus pais. Eis a dinâmica familiar que somos desafiados a construir e manter.

     Que por intercessão de São José, cada pai carregue a graça de revelar o amor de seu jeito único, indispensável e perseverante, imprimindo em seu filho, o sentido de ser querido, desejado, acompanhado, estimulado em seu desenvolvimento integral. Não há “manuais de paternidade”, mas no amor responsável certamente se constrói uma excelente via condutora. 
Fraterno abraço,
Patrícia Espíndola de Lima Teixeira 
* Artigo publicado no site http://www.alianca.fm.br/formacao no mês de agosto/2014
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1. Carta Encíclica Redemptor Hominis, n.10
2. Cf. Lc 2,7.
3. Trecho da homilia do Papa Francisco na Solenidade de São José em 19/03/2013. Missa Inaugural de seu Pontificado.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O ato de Educar como prolongamento do ato de gerar




“Gerando no amor e por amor uma nova pessoa, que traz em si
 a vocação para o crescimento e para o desenvolvimento, 
os pais assumem por isso mesmo o dever de ajudar eficazmente 
a viver uma vida plenamente humana”¹

Entre mudanças físicas e a reorganização do ambiente, ao gerar um novo ser, os pais sentem o coração dilatar-se por toda a vida. Pelo menos, assim espera-se que o bebê seja acolhido, querido, amado e investido. Entre o fato real e o sonho, vive-se o amor da esperança, dos desejos e propósitos e assim, pai e mãe constroem os primeiros esboços do ato prolongado ao gerar: o educar. Essa construção ocorre de forma pessoal e também como casal. De filho passa-se a ser pai. Ela que tanto gritou pela mãe, agora é a mãe que dará a resposta. Eles que tiveram seus responsáveis, agora são os responsáveis. 

 A paternidade e a maternidade assumem seus contornos de forma processual na medida em que a vocação é assumida. Ao nascer um filho, nasce uma mãe e nasce um pai.  Educar se dá nessa continuidade, nesse querer ser e estar para o outro.

O termo “educação” vem do latim e-ducere: “conduzir para o exterior o que está no interior, fazer crescer, ir além dos limites próprios”. Encontramos também a derivação educare: “ação de formar, instruir, guiar”. Nessa perspectiva, a educação pode ser vista como um processo constante e constituído de ações inter-relacionadas que regulam, equilibram e estimulam o ser humano em busca de um fim, de um sentido que o norteará.

A educação tem sido uma tarefa cada vez mais urgente e desafiadora. Em uma época com tantas inovações, transições e instabilidades de toda a ordem, precisamos buscar as referências, os princípios e valores que nos regem, para assim termos presente quem somos e quem somos chamados a ser para nossos filhos.

Então, qual a melhor forma de educar? Como educar alguém tão precioso para nós? Mantendo sempre sob o nosso controle? Deixando-o livre para fazer todas as suas escolhas? Qual o melhor caminho? 
A resposta está sempre no equilíbrio, na ordenação entre aquilo que compete aos pais e as necessidades e estímulos para o momento em que o filho se encontra.

Por mais que haja técnicas, sugestões e informações relevantes, o olhar mais primordial é a identificação de um filho como pessoa única, com vocação para o desenvolvimento e do qual somos os primeiros responsáveis. Nossa responsabilidade inclui formarmos, instruirmos e guiarmos cada filho para irem além, trazendo para o ambiente as suas contribuições, posicionamentos e características próprias, fazendo o diálogo entre o que recebem desse meio e o que internalizam: “Tu faz a diferença no mundo e no nosso mundo” – aqui o ser humano assume o seu valor de ser amado e querido de forma pessoal.

Como pessoa, o filho traz em sua interioridade o germe potencial para o desenvolvimento de si e das relações com o meio em que vive. Os pais são convocados a contribuir ativamente por meio educativo para que os filhos desenvolvam suas potências nas dimensões: física, emocional, intelectual, social e espiritual. Essa integralidade do ser equilibra e estrutura com segurança e suporte a vida humana.
           
Diante disso, torna-se propício o questionamento pessoal e como casal:

• Que pessoa estamos ajudando a formar?
• Para que consciência de mundo?
• Com que valores e propósitos?
• O que realmente tem educado?
• O que o deseduca?
• As correções que fazemos são realmente educativas?
• Há coerência entre nossa palavra e nossa ação?
• Nossa postura e conduta revela o valor que nosso filho tem para nós?

 Não há ato paterno ou materno que passe indiferente na vida de um filho.  Por isso a importância de termos presente o valor de uma educação que promove, perdoa, dignifica, limita, corrige e dá nova possibilidade. Não o deixa no abandono ou incerteza existencial. Muito de nossa ação conduzirá sua infância e adolescência, trazendo contribuições para a constituição de sua personalidade e consciência. Porém nem tudo será absorvido, sobretudo se acreditarmos numa educação pautada somente nas palavras. Ainda que as palavras tenham relevância, os exemplos, escolhas e condutas são bem mais educativos. Crianças se incomodam com a incoerência entre o discurso e a prática dos pais, adolescentes não a toleram. E assim, nos desafiam a buscarmos também o nosso equilíbrio e estabilidade, enquanto adultos e enquanto pais. 

“A boa educação é aquela que se adianta ao desenvolvimento”². Que grande bem faz esse cuidado repleto de práticas de amor, bem querer e respeito. O maior investimento materno e paterno é o olhar para o filho e vê-lo como alguém com competência, digno, capaz de avançar na potencialidade de ser e de se relacionar. Assumir-se como influência positiva na sua vontade de viver, de ir além, de se superar e de pensar por si mesmo, valorizando o pensamento do outro. Que alegria se cada filho identificar o valor da contribuição que pode dar a vida comunitária ao olhar para a vivência presente no lar que não se furtou de educá-lo. 
Fraterno abraço,

Patrícia Espíndola de Lima Teixeira - Psicopedagoga, esposa e mãe. Membro do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, da Missão Tabor e do Programa Água Viva.
* Artigo publicado no site http://www.alianca.fm.br/formacao no mês de junho/2014.

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(1) Exortação Apostólica Familiaris Consortio, 22.11.1981, n.36.
(2) Citação de Lev Vygotsky, psicólogo bielo-russo, que enfatiza a aprendizagem humana como uma relação dialética entre o sujeito e o ambiente a seu redor – ou seja, o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem.


A Maternidade de Maria, referência para todas as mães

Afirma o dicionário que maternidade “é a qualidade de ser mãe”. Perguntemos a uma mãe que defina o que é maternidade e logo perceberemos que não há resposta simples e objetiva para esse termo. A Língua Portuguesa classifica a palavra “maternidade” como um substantivo singular, mas caso não houvesse as definições técnicas, poderíamos perceber que ali está compreendido o verbo, o adjetivo e os advérbios; a pluralidade de sentimentos, emoções e razões. Um ser inteiro chamado a gerar e doar-se a outro ser. Portanto, não cabe em um simples conceito. As palavras pouco definem o que de fato o é. Sua definição está na vivência, na experiência. A maternidade é construída e aprendida no dia-a-dia por aqueles que são alcançados por essa vocação. Para tanto, busquemos a referência na experiência de uma mãe, que compreende em sua vida a completude da maternidade: Maria.
Quando “o Verbo de Deus se fez carne”, desejou habitar entre nós experimentando ser o centro da vocação materna. Sim, pois a centralidade da vocação materna, não é a mãe, mas o filho; e em seu desdobramento está na relação mãe-filho/filho-mãe. Jesus nos revela o grande vínculo que mantinha com Maria, desde sua concepção até a morte e ressurreição.

Maria tem valor único para Deus. É possível percebermos inclusive na forma com que o Anjo se dirigiu a ela já no anúncio de sua maternidade: a cheia de graça. Mulher plena. Na passagem da Anunciação (Lc 1, 26-38) percebemos Maria como uma mulher que busca a compreensão do que está acontecendo, demonstrando postura ativa e livre diante de sua escolha em assumir a vocação que Deus lhe propõe. Pelo sim cooperativo de Maria, Deus fez de uma mãe única, modelo para todas as outras. A Mãe das Mães nos ensina aqui a ir além de nós mesmas, por um sentido maior; para doarmos nossas vidas e abraçarmos aquele que nos é enviado por filho.  Vale lembrar que “doar-se”, não significa perda de identidade, mas reconstrução e ampliação do significado de si mesma. Ser mãe não é apenas ser limitada em muitas circunstâncias, mas é ser ilimitada na profundidade do ser e no alcance do outro. Experimentamos a impotência e a potência de forma constante.  Em uma realidade atual onde expressões como “doação”, “serviço”, “dedicação ao outro”, revelam-se distorcidas, vistas como ingenuidade, utopia ou ainda como a forma antagônica da “dedicação a si própria”, investimento “em mim mesma”, é preciso relembrarmos que o cristianismo é a religião que assume por maior premissa a vivência do amor doação. O amor não se faz em postura de isolamento, mas em comunhão, em relação. No caso específico da maternidade, o amor não está na teoria e nem somente no desejo, mas na prática do dia-a-dia, trazendo sim renúncias, sustos, dores e frustrações... Trazendo também alegria, afeto, carinho, ternura em doses altíssimas, que darão sentido de superação às angustias, elevando a intensidade do amor, renovando as esperanças. A maternidade alarga o coração daquela que investe em sua vocação. Porém cuidado: doar-se, não é sufocar o filho, colocá-lo em uma redoma, impedindo sua autonomia e nem achar que ele é seu somente. Isso não é zelo, é excesso de posse; não provém do amor doação, mas da insegurança ou egoísmo humano.

Além disso, vale ressaltar que a maternidade de Maria foi amparada e alicerçada também na paternidade de José. O grande cuidador da Família de Nazaré foi suporte na cooperação da missão de Maria e na educação de Jesus. É possível identificarmos as pistas do dia a dia daquela família. Ali cresceu Jesus, viveu a infância, a adolescência, a juventude e boa parte da idade adulta. Naquele ambiente, crescia “em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens (Lc 2, 52).”
Uma das experiências vivenciadas por Maria que não pode nos passar despercebida é seu encontro com a também grávida, Isabel. (Lc 1, 39 – 56). Além da iniciativa, dinamismo e cuidado, em se dispor a ajudar sua prima, a alegria que brota dos lábios dessas duas santas mulheres demonstra todo o gosto por serem mães. Isabel a vê como Bendita entre todas as mulheres e Bendito o fruto de seu ventre. Um grande apontamento para a maternidade mariana, como referência a todas as mães. Ela é a Mãe Bendita do qual precisamos acolher como modelo.  Ao entoar o Magnificat, Maria revela um impressionante conhecimento da história da salvação, da confiança em Deus e da disposição em cumprir sua missão. Missão essa que inicia na experiência de um Sim confiante e entregue. Maria, não sabe tudo que se dará, mas sabe o essencial e segue sua trilha materna. Nossa maternidade se dá de forma semelhante: os filhos não nascem com manuais, não sabemos de tudo, mas vamos tentando fazer o nosso melhor. Não alcançamos tudo, não estamos em todos os espaços onde eles estão e não somos suas únicas formadoras. Mas estamos aqui e firmes seguimos no itinerário vocacional da maternidade: observando, aconselhando, direcionando, rezando para que façam as escolhas certas.

Pensemos na aflição vivenciada por Maria quando não encontrava seu filho de 12 anos. Procurou, juntamente com seu marido, José, cerca de três dias (Lc 2,41-50). Encontrou-o no templo em debate com os doutores. “Meu filho, porque agiste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”, questiona. Qualquer mãe que tenha perdido seu filho de vista ainda que por poucos segundos, compreende tamanha agonia. O chão parece se abrir abaixo dos nossos pés, o tempo parece parar, a culpa e a instabilidade emocional aparecem. Pois Maria, certamente viveu a aflição e ao encontrar seu filho, escutou, guardando serenamente em seu coração a frase que demonstrava autonomia missionária de Jesus: “Por que me procuravam? Não sabem que devo cuidar das coisas do meu Pai?” De formadora, passa a ser também formada. Maria revela-se com uma personalidade bastante equilibrada. Guardar as coisas no coração é uma das maiores ações maternas, grande ensinamento deixado a nós. Equilibrar-se diante da tensão interna e externa: certamente o grande anseio de muitas mães. Outro olhar possível é identificarmos pela pedagogia materna, é possível a alternância de papéis e reconhecermos que ensinamos muito aos nossos filhos, mas o fato é que aprendemos sobremaneira com eles. Nossos filhos nos colocam diante de nós mesmos o tempo todo.

Seguindo em análise, chama-nos atenção o início da vida pública de Jesus. Enquanto mantinham o convívio social, temos a bela passagem do casamento de seus amigos em Caná (Jo 2, 1-11). Lá está Maria observando e se antecipando ao sofrimento dos seus queridos. Zelosa, em atitude protetora, impedindo que viesse a público o constrangimento, assume a responsabilidade da mediação e intercede ao único que pode ajudar, seu Filho. Ainda que Jesus afirme que sua hora ainda não havia chegado, em atenção a sua mãe iniciou efetivamente sua missão. A atitude de mãe e filho nessa passagem demonstra um vínculo de confiança mútua fundamentada na intimidade entre os dois. Ainda hoje, Maria, confiante na ação de seu Filho, segue nos dizendo “Fazei tudo o que ele vos disser.”  É preciso, como mães, nos dispormos e darmos tempo de qualidade ao olhar atento, acompanhando de perto ou de longe, o caminho de nossos filhos. Fazendo as ponderações, as mediações, indicando os limites, dando o afago, sendo o porto seguro, dando-lhes “asas para voar” e “raízes que os sustentem”.

Outro fato revela o que Maria ouviu na profecia de Simeão (Lc 2,22-38): “E a ti mulher, uma espada de dor transpassará sua alma”. Muitas mães enfrentam dores e aflições que lhe ferem o interior. Maria viu seu Filho, injustamente sofrer violências atrozes: vítima de humilhação e escárnio, tortura e deboche, acompanhou toda a dor de Jesus de forma presente, sem preocupar-se em ser apontada como a mãe do condenado. Ergueu-se, mantendo-se em pé diante da Cruz que pendia seu Filho. Viu-o entrega-la aos cuidados do seu amado discípulo, assim como entregou João, aos seus cuidados maternos. A mãe não ficou no desamparo e permaneceu no exercício de sua maternidade.  João representa toda a comunidade cristã a quem Jesus confiou a santa maternidade de Maria e também, para a Igreja, Maria direciona seu olhar atento e cuidado efetivo. A lança que cortou o lado de Jesus atravessou a alma de Maria, e esta se manteve firme e confiante na ação divina. Há mães que fazem a experiência de dor profunda ao verem seus filhos vítimas das diversas violências de nosso mundo. Veem seus filhos feridos em sua dignidade. Há mães que agarram-se em todas as esperanças diante da doença de um filho. Outras, convivem diariamente com a presença de um filho que já não está mais aqui, mas que vivem em seus corações e em suas mentes. Mulheres que devem se amparar na Mãe das Dores. Maria que viveu a dor, mas não parou na dor. Confiante no bem maior que derivou da Cruz, tornou-se a Mãe do Ressuscitado.

A presença de Maria na Igreja nascente contribuiu para a congregação do grupo de discípulos, mantendo-se fiel até o fim (At 1, 12-14; At 2).  É a Mãe que viu e ainda vê seu Filho habitar no coração de muitos homens.

Para as mães de hoje, o exemplo de Maria continua atual. Nossa maternidade é convidada a encontrar consonância na maternidade de Maria. Não foi uma mãe que pode oferecer um belo enxoval para o seu filho, sequer um berço pode oferecer. Não ofereceu uma bela casa ou diversos títulos acadêmicos. Ofereceu o que de melhor e mais precioso tinha: o seu próprio ser. Doado integralmente, gratuitamente, infinitamente, ao seu Filho e a todos que recebeu e recebe como seus.
Para que nossa geração de mães continue a reconhecer Maria como a Bendita entre todas as mulheres, suplicamos: “Roga por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignas das promessas de Cristo”. Ensina-nos a sermos dignas de nossos filhos, tu que és a mais digna de todas as mães. Amém!

Fraterno abraço,
Patrícia E. de Lima Teixeira
* Artigo publicado no site http://www.alianca.fm.br/formacao no mês de maio/2014.